das nuvens por vezes nos vem a divina água da inspiração, em fumos se foram ardores da vida - que alguns chamem a estes desencontros poesia...
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13 de abril de 2007
o ar que nos falta
o ar que nos falta
o ser que nos dói
a chama que nos inflama
a paixão que nos corrói
e se nos faltar a figura
do fulgor e da amargura
sempre a alma nos segura
Quantas Folhas?
Quantas folhas,
filhas do tempo, desfiam
as lembranças esperadas?
Quantos fios,
fados do amor desfiado,
desafiam esperanças?
Quais e quantas?
Tantas malhas,
minhas falhas.
10 de abril de 2007
Modernidade
Falam de modernidade:
das novidades técnicas,
de que falam com vaidade
- das tecnologias estéticas...
Tanto falam, na verdade;
repetindo, quase acredito;
esquecendo a humanidade,
"Que moderno sou!" - repito.
Em botões vou carregando,
a ansiedade despejando
num omnipresente teclado,
pouco a pouco mais calado.
Neste mundo tão infame,
onde a Catedral de Nôtre Dame?
Na Noite
Nesta noite igual a tantas,
de solitários silêncios e cansaços,
vejo espalharem-se dos dias os pedaços
das misérias... Sim! - do que te espantas?
Nesta noite não há fados não há tangos,
calaram-se as doces vozes dos fandangos,
longe ressoam as toadas,
pelos soluços abafadas...
Vais pela garoa meu amigo,
vem buscar no braço o teu abrigo,
- que antes solucem as musas nocturnas!
Afinam-se gargantas pelas furnas,
na escuridão há quem se afoite
e sem medo cante até de noite!
Amar
desesperado amor
que segue perdido
por vielas e becos infinitos
esperança sempre adiada
e negada lá mais à frente
da espera do que sempre
sempre espera
desesperado,
cansado, resiste o amor
por vielas e becos,
infinito.
Em Branco Frio
em branco frio se ofusca
solidão de alma, a minha, ardente
e sozinha;
na palidez fria se enrosca
a tristeza calma e sozinha, paciente
que é a minha;
no breve estio,
sigo mirrado rio,
pálido e tosco;
a nudez que dizes,
algidez de escassas matizes,
ausência de mim, na brancura de páginas soltas...
Ponta Da Europa
Nesta europeia Califórnia,
à beira, Atlântica,
falsamente pacífica,
equivocamente virada
a ocidente, geográfica,
mais no beco que no extremo,
entre discursos e recursos,
partidocraticamente democrática,
vencidos na memória de ontem,
hoje perdidos na história,
pacóvios de todas as modas,
entenderemos qual o percurso deste Hotel?
Nesta nova apagada e vil tristeza,
virá alguém que nos diga como dela sair,
como construir
uma nova utopia?
Onde Estou?
aqui,
onde tudo se esconde;
se esconde a maré,
se esconde a maresia
esconde-se a pureza,
esconde-se a poesia.
Re-explanada
Explanemos o tema, explanemos;
expliquemos tudo, explicaremos?
Algo haverá aqui de inexplicável,
nesta esplanada tão apetecível?
Tivéssemos tudo tão controlável,
nada seria tão cedo descartável;
consolado ficasse o esplanante,
já ninguém ficaria suplicante!
Suplícios ou folguedos ao acaso,
(ainda bem que aí vem o ocaso,
após a penumbra, venha o escuro!)
que aqui o gerente, recto e puro,
não mais veja qualquer devassidão.
Ou também terei de "dar uma mão"?
Esplanada, Versão Feminina
Ufanava-se, outro dia, a Bela,
estando à mesa instalada,
comendo tenra torrada,
de assistir a parada bela.
Menos a boca que as vistas,
tanto se encheu de ciclistas,
qual teria maior pedalada;
vá, mais um naco de torrada...
Tão esbeltos eram os rapazes,
tão velozes nas bicicletas;
fantasiava que eram capazes
das mais loucas piruetas...
Cintura fina, pernas musculadas;
se os moços lhe deram fome!
Aperitivos p'rás esplanadas?
Já vi darem-lhe outro nome!
Esplanada
À esplanada se senta, e não me dá hipótese!
meu irmão Valério, de hipotenusa armado;
secando o material que passa, bem dissecado,
tirando-lhe a secante, fazendo sua a apoteose!
Bem queria eu ter a sua disponibilidade,
e a demorada gestão das tardes solarengas;
logo veriam também minha aritmeticidade
ausente de lúbricas algébricas monstrengas...
Os catetos dobraria, em quadrados,
semifusas confusas, por quartetos,
gritaria bravatas, ninharias baratas;
Minhas fossem todas as passeatas,
nunca na mesa faltariam canecas,
poderíamos ficar, até sermos carecas!
Jogo
Se a Paz procuras num tabuleiro,
verde ele seja ou seja axadrezado,
o adversário, que é o teu parceiro,
amá-lo saibas, nesse jogo jogado.
Que ele também a Paz procure,
no jogar que contigo enfrente;
juntos, sempre o final se segure,
qualquer o resultado, finalmente.
Chamem-no uns, gritando, Vitória,
outros gritem, digam-se em Glória,
todos, por fim, o mesmo querem;
Todos com Amor jogar souberem,
eis que a Taça da Paz alcançaremos,
e que o Jogo Da Vida ganharemos!
análises...
Arrastado pela orelha
p'ràs análises hoje fui;
dizia a cantiga já velha:
velha torre também rui...
A agulha veio, fiz-lhe caretas,
adiar mais não poude, este dia;
dei sangue p'as maquinetas,
p'ra saber o que não queria...
Veio o veredicto, malvado:
acabando com o docinho,
proibindo o bem molhado;
terei de passar a fradinho?!!!...
asas da memória...
Do "bem-te-vi" ressoa o grito,
espalhado te vi, pelo campo;
saudades de coração aflito,
relembradas por seu canto.
Em verdes planuras alagadas,
em que se reflecte oblíqua luz,
nascem crepusculares pegadas;
ao que a memória se reduz!
Das asas soltando as penas,
lembranças, glórias pequenas,
voos de ocasos, ocasiões;
Crescidos os olhos da vida,
na consciência percebida,
tempos idos, sem paixões!
"O Despertar Dos Mágicos"
De magia no Hotel se falava,
despertava nova, a filosofia;
filosofando, o poeta magicava,
se, versejando, despertaria.
Fora "Dos Mágicos O Despertar",
n'outros tempos, rica leitura;
passaram-se os anos a sonhar,
modificando-se a partitura...
Novas músicas soaram, mágicas,
soam torpezas novas, trágicas,
dos novos tempos de bruteza;
Trouxesse o filosofar certeza,
trazendo a Paz aos Humanos,
bela seria a Magia, dos mil anos!
Por Companhia
Por companhia O temos
na vida, em todos os dias.
Bem seguros seguiremos,
se o crês, Nele confias.
No destino confiantes,
por Ele acompanhados;
tranquilos caminhantes,
seguimos abençoados.
Traz sereno o coração,
com bondade e razão
- assim seja a tua Vida.
A Alma te seja querida,
que nela sempre seja dia.
Ele virá, por companhia!
Vidas
Tanto pode humana alma:
odiar sem fim, amor eterno,
violentar, beijar com calma,
diferenças verão-inverno...
Em leque tudo se espalha,
opções de vida espelhando;
com ou sem razão se talha
o destino se formatando...
Todos na escolha nos fazemos
simples ou não, nos construimos,
caminhantes de alma decidida;
Humanas vidas, diversidade,
plenas de complexidade,
diversas formas da Vida.
choro...
Muito chora quem nos ama,
desejando-nos ditosa a Vida;
entretece o destino a trama,
na lama sofre a Alma querida...
...
Perdoai-me esta secura,
esquecei a amargura;
são coisas de coração mole,
amanhã regressa o sol...
Água mole em pedra dura,
bem triste ficou esta figura;
deixá-lo, se hoje chora,
pedra não se deteriora!
Viva o Amigo que nos atura,
tanto bate até que fura;
tanto choro vá distante
mesmo pouco, já bastante!
Vida
Sabei vós o que é estar
ai, sozinho, na solidão;
sabei vós o que é chorar
ai, sozinho, na indecisão.
Molhado ou seco esse choro,
conforme ao caudal da nascente;
vinde e sabei, não vos imploro:
chorai também, simplesmente.
Sem pressa, para o poente,
tão simples a Vida nos corre:
como o choro, também morre.
E se tudo seca, finalmente,
consumando-se o destinado:
vivamos pois, de coração amado!
No Nosso Dia
Como posso manter de mim
a fronteira luminosa,
a identidade dos horizontes puros,
neste sórdido Mundo,
nesta lama de vileza?
Como posso manter em mim
um pássaro livre no peito
cantando alegrias de amor,
voando pelas Fantasias?
Como posso, (como quero)
abrir-te a fala, aos meus olhos
sonhar a Vida dos teus filhos,
desesperando por te ver,
límpida e serena?
Como,
dizes-me sorrindo,
silenciosa e frágil.
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