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9 de outubro de 2008

Aqui não é.


Aqui não é, amada minha,
"o meu berço de embalar ".

Estas ruas nada me dizem.
Nesta noite, a luz dos postes não se reflecte
em nenhum empedrado molhado.
Não há chuva sobre trilhos de eléctricos;
e aqui ninguém indaga,
sob varandas e janelas,
os sentidos do destino e do fado.

Aqui estou longe, separado;
da minha raiz, minha solidão.
Distante, estou só e apagado
no escuro, mesquinho e vão.


Aqui não é Lisboa.

7 de julho de 2008

caçados


Despe o teu corpo
meu olhar predador
que em sonhos me entretém,
em fantasias...

Enquanto assim algo
de invisível, insuspeito,
se passa sob a minha pele,
máscara impassível,

surgem da flexão
da tua cabeça, rodando,
teus olhos - surpresa,
neles se suspendendo
a imaginária caça dos meus:

porque os trazes limpos,
já desnudados.

8 de maio de 2007

Outras Claridades


Da minha vida,
ontem tão esquecida,
ficaram meus sonhos antigos
no fundo de gavetas guardados;
é deles que hoje falo, aos amigos:
de estórias e tempos apagados,
de amarelos papéis que rasguei,
de fantasias que nunca viverei...

N'outros sonhos, outras novidades,
dançarei ao som de novas melodias.
Como ontem, sonharei outras claridades:
hoje saltaram da memória os novos dias!

21 de abril de 2007

Anos "60"


Era o mundo dos meus verdes anos
em que tinha a cabeça adolescente
despenteada, externa e internamente.
Naqueles tempos não havia veteranos...

Encheu-se de música o meu mundo:
de sonhos musicais a minha cabeça
penteou-se com um risco profundo.
Marcas ficaram, ninguém se esqueça!

Hoje, alguém passa e questiona
esses valores e o seu significado,
duvidando se na História ficou brado.

Tirando o alecrim e a mangerona
das tais politicalhas prepotentes,
foram os sessenta dos mais inteligentes!

Voz Minha


Oh! Voz minha não te cales,
pelo ardor do meu coração!
Que sejas Lança, sempre fales
- que me ilumines a escuridão!

De volta ao tempo clandestino,
voltou a "apagada e vil tristeza";
resta-me só a Lança da Pureza:
este puro coração de menino...

Já que a chama se apagou,
nesta jornada discreto vou,
e sigo à sombra dos anões...

Ficando nas trevas os dias,
fúteis vaidades e honrarias,
chegue a Lança aos corações!

O Silêncio Da Razão


A Razão resistindo, a sair
da ponta da caneta, do tinteiro,
guardada pelos anos, em silêncio,
clausurando erudições,
inibindo erupções...

A Razão, sempre A Razão,
aquela que nos disse não,
sempre em silêncio, calada,
mordendo-nos a alma por nada,
em tudo o que o fogo urgia...

Oh! mas se a vida se fazia
com vozes e fogo se ardia
deixando sozinha falando
lá dentro a Razão ignorando...

...com gosto Ela se calava
- e satisfeita se calou,
por todos anos em que amou
enquanto quieta ficava!...

20 de abril de 2007

O Que Sou?


o que sou
e o que faço
onde estou
e o que penso

tudo o que nas mãos reúno
que digas pouco o que apresento
seja porque o esparso pelo vento
ou que dissolvo nas águas em que o afundo

pouco ou muito
seja eu louco
cheio de amor e razão

faça amor, faça loucuras
tanto faça
que não haja taça!